Nossas virtudes
AS VIRTUDES CARDEAIS
Quando iniciamos na Ordem, somos introduzidos às nossas Sete Virtudes Cardeais, apresentadas pelos Sete Preceptores durante a Jornada Simbólica com o 1º Diácono. Porém, durante nossa Iniciação, são apresentados diversos símbolos e pela expectativa que o evento gera, nós não conseguimos absorver todos os ensinamentos passados. Outro fator importante é que, principalmente vivendo a Ordem e as experiências proporcionadas, é que iremos nos achar iluminados pelas luzes das Sete Velas. A seguir, estão trechos retirados da Cerimônia da Luz, em que o Orador da Cerimônia descreve as Virtudes para o público, detalhando quais os objetivos delas e como devemos nos portar para atingirmos o propósito de cada uma delas: nos tornarmos melhores homens e cidadãos e, assim, melhorarmos o mundo ao nosso redor, em busca de dias melhores.
Amor Filial
“A primeira vela simboliza o amor entre pais e filhos, aquele amor que já existia antes mesmo de nascermos, que permanece conosco durante toda a nossa vida e que nos seguirá até mesmo além do túmulo. Os sábios chamavam este amor de “ágape”, amor sem nenhuma outra razão, senão a de existir.” (Cerimônia da Luz)
Um ponto importante a ser colocado aqui é que desde a fundação de nossa Ordem, muitos membros já não tinham a vivência do esquema “tradicional” familiar. Podemos evidenciar isso no exemplo do próprio Louis G. Lower, que, após a morte de seu pai, encontrou a mão auxiliadora de Frank Land para que pudesse ajudar com os gastos de sua casa. Assim, encontrou em Land também uma figura paterna. Não à toa, nos Estados Unidos, os Tios maçons são chamados de Dad.
Todos temos nossas figuras paternas e/ou maternas, sejam elas nossos pais biológicos, avôs e avós, tios e tias, amigos e amigas, ou até mesmo pessoas que nos eram desconhecidas que nos acolheram.
Reverência pelas Coisas Sagradas
“A segunda vela é o emblema da reverência por tudo aquilo que é sagrado. Um jovem, atravessando o limiar da Ordem DeMolay pela primeira vez, professa uma profunda e permanente fé, em um vivo e verdadeiro Deus. Sem esta inabalável fé e a graça de nosso Pai Celestial, nossos trabalhos seriam em vão.” (Cerimônia da Luz)
Como bem sabemos, nossa Ordem não possui uma religião ou crença específica, mas é exigido que o membro tenha ou desenvolva sua espiritualidade. Quando iniciamos, juramos servir como verdadeiros devotos no santuário de nossa fé, por isso, é importante que o membro viva sua religião e não apenas exerça sua espiritualidade quando frequenta a Ordem. Inclusive, em nosso Ritual, é especificado que caso haja mais de uma religião entre os DeMolays presentes, os Capítulos são encorajados a trazer os demais Livros Sagrados para o Altar e durante a reunião se referir a eles como “livros de nossa fé”. Na parte de “Orientações”, no início do Ritual, o primeiro item especifica a maneira como esse procedimento deve ser realizado. Desde quando Dad Land estava idealizando nosso Ritual com Frank Marshall, ele já tinha em mente a importância da espiritualidade, afinal, como narra o Hi, Dad!, ele mesmo desde criança já tinha esse lado muito bem desenvolvido. Em nossas cerimônias ritualísticas, sejam públicas ou fechadas, elas não podem começar nem terminar os assuntos da pauta sem que seja feita uma oração. E durante a ritualística, tudo culmina no momento da oração. Durante a Abertura, estamos preparando o Altar e nós mesmos para que o Capelão nos guie em oração; no Encerramento, a oração é primeira feita para que depois se desmonte o Altar e se prossiga com o encerramento da reunião.
Cortesia
“A terceira vela representa a Cortesia, uma Cortesia que transcende as amizades; que alcança os desconhecidos, os mais velhos e todos os homens. É esta Cortesia que traz um sentimento caloroso, e um sorriso que torna esta vida mais agradável para o próximo, pois ilumina o caminho diante de nós.” (Cerimônia da Luz)
Como o 3º Preceptor nos coloca durante a Cerimônia de Iniciação, é preciso sermos corteses não somente com as pessoas próximas a nós, como pais e amigos, ou a quem nos interessa ser cortês, mas sim com todas as pessoas ao nosso redor, seja um desconhecido, um idoso, uma mulher, uma pessoa que pensa diferente. Fazer isso é essencial para acolher bem um novo membro em nossas fileiras, um Irmão que precisa ser ouvido ou até mesmo uma pessoa que nunca vimos na frente. A cortesia não exige grandes feitos. Ela está nos pequenos detalhes. Aquele “bom dia” para a pessoa que cruza nosso dia; um abraço; ceder o lugar no ônibus para outra pessoa, mesmo que ela não seja do grupo prioritário, mas que vemos que ela necessite mais que nós; valorizar nossas relações; dizer um “eu te amo” para os pais. São inúmeros os pequenos atos, mas que trazem uma recompensa sem igual: a felicidade.
Companheirismo
“A quarta vela, no centro de nossas sete, representa simbolicamente o Companheirismo. Milhões de jovens como nós, já se ajoelharam neste Altar simbólico e se dedicaram aos mesmos elevados princípios de boa filiação e boa cidadania. Enquanto permanecermos fiéis a essas promessas, enquanto existir a Ordem DeMolay – seremos um.” (Cerimônia da Luz)
Sendo nossa vela central, ela tem um posto de destaque entre as outras. Como bem coloca nossa Cerimônia da Luz, ela é capaz de sustentar as demais em um momento de necessidade. Ao mencionar “no entanto, cada um de vocês, como um DeMolay, carrega dentro de seu coração uma chama, um farol para guiá-los através da escuridão”, a Cerimônia se refere à vela do Companheirismo, tanto é que é a que permanece acesa. Com ela, é possível acender de volta todas as outras. Sem o companheirismo, não existe Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Fidelidade, Pureza nem Patriotismo.
Fidelidade
“A quinta vela representa simplesmente a Fidelidade. Um DeMolay não pode nunca, por motivo justificado ou não, ser falso a seus votos, suas promessas, seus amigos, seu Deus. Ele é chamado diariamente a defender os baluartes e preceitos da Ordem, de modo que jamais falhe como líder e como homem.” (Cerimônia da Luz)
Quando, em 1919, o nome de Jacques de Molay foi escolhido como patrono de nossa Ordem, Dad Land pediu a Frank Marshall para que a Fidelidade de Molay fosse incluída em nosso Ritual. Como a própria Cerimônia da Luz coloca, a Fidelidade deve ser em nossas relações diárias com nossos pais, amigos, relações afetivas e demais pessoas que criamos laços e ser também com relação a nossas palavras, ações, nossos ideais, sejam eles pessoais ou coletivos.
Pureza
“A sexta vela é o símbolo da Pureza, não a Pureza do corpo, a qual todos praticamos, mas a Pureza de todo o pensamento, palavra e ação. Somente puro, pode um DeMolay ser digno representante da pureza de nossos ensinamentos.” (Cerimônia da Luz)
Ao falar em Pureza, assim como na Fidelidade, existem duas frentes que precisamos observar. Temos de nos ligar para cuidar tanto de nossa pureza corporal quanto da pureza mental/espiritual. Ambas estão conectadas e se uma não está bem, a outra também não está.
Quando deixamos de cuidar do nosso corpo, seja através da alimentação adequada, da prática de exercícios físicos e ao fazer uso de substâncias que vão interferir fisicamente e psiquicamente, passa a ocorrer um desequilíbrio no funcionamento do organismo e, quando isso ocorre, nossa mente deixa também de estar saudável. E quando nossa mente não está saudável, não conseguimos praticar a pureza de palavras, pensamentos e ações da maneira que deveríamos. Durante nossa Iniciação, o 6º Preceptor nos ensina que o nosso corpo deve ser guardado das dissipações do mundo que vão prejudicar o desenvolvimento do organismo, conservando-o como “uma herança para o futuro”, pensando que nosso corpo é a nossa casa, é onde iremos passar a vida, e o que fazemos com ele agora irá influenciar diretamente no futuro.
Patriotismo
“A última vela é o emblema do patriotismo. Talvez, nós nunca sejamos chamados a defender nossa pátria no campo de batalha, porém cada dia nos apresenta novas oportunidades para nos firmarmos como bons e corretos cidadãos, a serviço daquela querida bandeira e de nossa reverenciada pátria.” (Cerimônia da Luz)
Muitas vezes, desde muito tempo, patriotismo é confundido com posicionamento político e até mesmo com nacionalismo radical. Patriotismo é usado como uma característica da pessoa que é devota de sua pátria, que se dedica a ela, que a ama. Isso significa que, enquanto DeMolays, devemos defender nossa pátria com a intenção de melhorá-la e torná-la um lugar inclusivo e bom para os que moram nela, independente de posicionamento político, afinal ao iniciarmos, juramos defender as liberdades civis, religiosa, política e intelectual. Vale lembrar que, quando falamos em pátria, não estamos nos referindo apenas ao país em que nascemos, mas sim ao mundo como um todo!
“DEMOLAYS ATIVOS, AJOELHEM-SE SOBRE O JOELHO ESQUERDO…”
Quando iniciamos na Ordem, aprendemos que temos uma maneira correta de nos ajoelharmos. Devemos, nas Orações, sejam de Cerimônias Públicas ou fechadas, ajoelhar-nos sobre o joelho esquerdo com a mão esquerda sobre o joelho direito e com o cotovelo direito apoiado no joelho e a cabeça apoiada na mão direita. Mas de onde veio isso? Em uma Loja que os membros se reuniam durante os primórdios da Ordem, havia um quadro de George Washington ajoelhado em prece em Valley Forge, que foi um local da Independência Americana, pois o local era extremamente frio e os soldados não tinham abrigo, então Washington se ajoelhou em oração e rezou para que os soldados não morressem e ele não morreu. Então, Dad Land sugeriu a forma de se ajoelhar aos membros, que aceitaram a sugestão.
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Oração de George Washington em Valley Forge de Arnold Friberg

